sábado, 30 de janeiro de 2016

31 JAN – De Carazinho até em casa

Eu e o Neco saímos pela manhã...


...e tocamos até Vacaria, onde nos despedimos. Ele foi pela Rota do Sol, descendo pela Serra do Pinto e eu fui por Lages, descendo a BR282. Chegamos em casa quase no mesmo horário: eu às 16:30 em Floripa e ele às 17:00h em Torres.


CONCLUSÕES
Vou ficar um mês sem andar de moto (se eu conseguir, é claro)
Nunca escrevi tanto na minha vida.
A viagem foi maravilhosa, conhecemos lugares e pessoas fantásticas.
Nenhuma viagem é melhor do que uma viagem de moto.
Fomos recebidos muito bem em todos os lugares em que passamos. As pessoas, em geral, tem muita curiosidade quando vêem motociclistas de outro País.
Incrivelmente, não tivemos nenhum problema com a polícia. Pura sorte, porque o trio pagou na ida e na volta, no Pampa del Inferno, para a dupla de policiais corruptos que estão sempre lá e também em Corrientes para a polícia local, que queria US$20 por moto, alegando que tinham cruzado um sinal vermelho.
As estradas, em todos os países visitados, são melhores que as do Brasil.
Nota 100 para a cultura do povo Chileno. No trânsito são educadíssimos e disciplinados.
Nota 5 para o trânsito na Bolívia (Sta. Cruz, Cochabamba e La Paz). Só vendo pra acreditar.
Esta foi minha última grande viagem de moto.
E aproveitem este relato, porque não vou escrever outro, não.
Um beijão a todos os que nos acompanharam nesta aventura.
Mara e Luiza, obrigado pela paciência e apoio.
Necão, um grande abraço e fiquei muito feliz em fazer esta viagem contigo.

FELIPPE (quico)

07.02.2006



Por Luis Fernando – Último pit stop (Rota do Sol) antes de chegar em casa. Os sentimentos se misturam, uma certa felicidade por ter conseguido realizar a viagem, uma certa tristeza por ela estar terminando. Depois de 30 dias de parceria, rodar 9.600 Km  (650 km de trem entre Corumbá-MS e Sta. Cruz de La Sierra-BO)...esses 290 Km, sozinho na estrada, foram os mais longos que eu já rodei.


Antes de Aratinga, uma baita neblina, deixando minha roupa bem úmida...


...depois na descida, um trecho em obras bem empoeirado.


É, é isso aí, cheguei em casa "a milanesa". 


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Relato : Felippe_Quico

Inserção/Fotos/Legendas : Felippe_Neco


30 JAN – De Corrientes-AR à Carazinho/RS-BR.

Do hotel...



...saímos direto pra estrada e a temperatura não estava mais a do dia anterior. A região é mais parecida com o pampa gaúcho, plantações de soja, milho, etc... amenizam o calor pela umidade.
Chegamos em Posadas e resolvemos fazer um lanche e descansar um pouco antes de cruzar a fronteira. Estamos em um posto de gasolina engraxando as correntes e o Neco me diz: que passaram três motos e o barulho parecia com a do Cezar. Eu digo: não pode ser, estão vindo de um lado completamente contrário. Saímos para estrada e alguns km na frente eu vejo uma moto e mais na frente outras duas. Era o trio, de novo. 8º encontro. A gente fez um gancho pro sul, voltou e ainda encontramos os caras. Assim é coisa do demo. Paramos, atualizamos as informações dos dois grupos e partimos juntos. Eu ia puxando a corda e numa bifurcação parei e esperei o Neco. Ele apareceu e logo atrás o Cezar. Continuei e logo chegamos na fronteira. Puerto Xavier.




Fizemos as tramitações de praxe e pegamos a balsa para atravessar para o Brasil.





Até aí os três não tinham chegado. Seguimos viagem em direção à Vacaria, com a intenção de parar ao anoitecer.


O cansaço começava a bater. O momento da volta é terrível, porque pela frente é só estrada e não tem mais nada para ver ou fotografar. É só seguir. Não tem mais jeito pra bunda. Vira de um lado, vira pro outro. E só quando não tem carro atrás (imagina ficar de bunda pro lado com uma galera olhando. Eu, hein?). Vamos tocando e de repente avistamos 2 motos paradas no acostamento. Chegamos perto, e: eram dois daquele trio. NÃO É POSSÍVEL. Como é que eles não nos alcançaram na fronteira e agora estão na nossa frente. Eu já falei: é coisa do demo.9º encontro.


Em resumo, foram pela outra fronteira, e o Cezar pegou outra estrada para visitar uns parentes no Rio Grande do Sul. Fomos juntos até Carazinho, onde resolvemos dormir. Ficamos em um hotel no trevo de acesso à cidade.




Jantamos juntos...


...e eles resolveram que ainda iriam a Lages para assitir o jogo do Figueirense (que por sinal ganhou de 1x0 do Avaí).


29 JAN – De Santiago Del Estero à Corrientes-AR.

Saímos as 8h...




 ...e sem qualquer informação sobre a travessia fomos até a Comissária de Polícia para pedir orientação.



Ninguém sabia de nada. Tocamos embora. Seguimos para Colônia Dora, Anatuya, Tostado. Numa bifurcação entramos por engano numa outra estrada e depois de uns 10km paramos desconfiados (estávamos seguindo para o norte), mas tínhamos que descer o acostamento, pois tinha uma poeira muito fina, um talco, e cada vez que passava um caminhão nos tapava de pó (não sabíamos, mas era só o começo, he he he).






Voltamos uns 5 km e achamos uma pick-up parada e pedimos informações.


O cara pega um mapa na pick-up e diz que nós estamos na estrada errada. Em compensação, também nos diz que onde queremos atravessar o rio tem 30km de largura e não tem balsa. Olhando o mapa, vimos que a estrada errada ia passar a ser a certa, pois sairia em Presidente Roque Saens Penz, rota para Corrientes. O cara nos diz que, fora um dez km de pista com reparos, a estrada está muito boa. Tocamos em frente a 46º C. A cada 20km a gente parava em algum bar ou posto para beber água pois a boca ressecava total.



Os 10 km de “reparos” estavam divididos em três desvios, por estrada de terra (terra não, pura areia solta, vermelha e com um palmo de altura) que nos imundiciou tudo (roupas, motos, capacete, nariz). Quando entramos no primeiro desvio o Neco levou um susto, pois a areia pegava na ponta dos pés e subia quase até o joelho. A 46º tava maravilhoso. Foram 12h de viagem sendo 6h naquela agradável temperatura.





Finalmente, já noite,  chegamos a Corrientes. Fui direto para a Av. Costaneira (centenas de bares e restaurantes). Paramos em um bar e tomamos duas Quilmes com papas fritas antes de procurar hotel.



Depois de uma descansada saímos a caça de hotel e resolvemos ficar em um na saída da cidade para facilitar no dia seguinte.

28 JAN – De Salta à Santiago Del Estero-AR.

Às 8h fui procurar a oficina Motomax, que já conhecia de 2005.


O único problema é que eu estava com o cartão da Motomax, mas ninguém conhecia a rua.


Até que descobrimos que o cartão é da Motomax de Mendoza. Mas achei a Motomax dali e deixei a moto pra trocar óleo.


Saí pra avisar o Neco pois pelo rádio não estava conseguindo contato, e vejo duas motos com os tanques adesivados (proteção para viagem). Passaram e vi que as placas eram do Brasil. Continuei andando e percebi pelo barulho, que as motos tinham parado. Voltei e os dois caras estavam na calçada pedindo informação. Queriam uma oficina. Indiquei onde tinha deixado a moto e disse que voltaria logo pra gente bater um papo. Uma moto com placa de Minas Gerais e a outra de Brasília. Voltei com o Neco e fomos falar com a dupla. Gilberto e Leo.


O Leo é de Minas mesmo, mas o Gilberto mora em Rio Vermelho, em Floripa. Papo vai, papo vem, disse: pô, vcs são os caras que o Paulinho me falou. (Paulinho: nosso primo e que viajou em 2005 com a gente). Eles estavam começando a viagem deles e iam entrar pelo sul da Bolívia para chegar até Machu Picchu. Ficamos de papo até perto do meio-dia e partimos. Seguimos às 14h para Santiago Del Estero (direção sul) para depois dessa cidade rumarmos para leste, em direção à cidade de Goya e lá atravessar o Rio Paraná e seguir até Uruguaiana/RS.



Chegamos a noite, e depois de algumas voltas encontramos um bom hotel, Nuevo Hotel Bristol, onde saboreamos um belo “Lomo a La Plancha com Papas Fritas” (um bifão com batatas fritas e arroz) com (novamente) cerveja Quilmez, bem geladas. E fomos dormir.

27 JAN – De São Pedro de Atacama-CH à Salta-AR.

Chegamos às 7:15h na Aduana (saída do Chile)...


mas só abre às 8:00h. Ficamos na boca do guichê para não perder a vez.


Às oito abre a Aduana e, em 15min, estamos liberados.


Até aquela hora o trio não tinha aparecido e fomos embora. As motos não passavam de 60km/h em 3ª marcha (a subida é suave mas chega-se a 4600m de altitude).




Paramos muito para tirar fotos pois a paisagem é muito bonita.











No caminho, acidente com uma cegonheira, provavelmente dormiu no volante.



E o espetáculo continua.







Chegamos à Aduana de Jama (entrada na Argentina) e fui entrando logo pois o Neco estava um pouco para trás. Só anotam no micro a entrada da moto e me mandam pra imigração. Carimbam o passaporte e já estou liberado. Como a gente vai circulando por dentro do prédio, imaginei que o Neco estivesse um pouco atrás. Saio do outro lado e não vejo só a moto do Neco, mas outras 3 junto. Era o trio de novo. 7º encontro.




Fomos até Susques juntos.


Em Susques paramos, obrigatoriamente, para abastecer e resolvemos fazer um lanche. O trio resolveu não lanchar e largaram na frente.





Pit stop no Salar de Olaraz.





Tomamos rumo, e a estrada continua muito bonita.







Passamos por Purmamarca e paramos para bater mais fotos da Montanha das 7 Cores.







De Purmamarca até Jujuy a estrada é espetacular. Fomos a 110/120 (no fluxo local). Próximo a Jujuy passamos pelo Julio e na entrada da cidade encontramos o Telmo e o Cézar. 8º encontro. Disseram que iam dormir em Jujuy. Fomos direto para Salta. Quase uma auto-estrada. Mas num determinado ponto uma bifurcação e placa nos dois sentidos para Salta. O Neco foi por uma e eu pela outra e paramos nos olhando. Nisto para uma Honda África Twin. Era o Estevão e a esposa chegando de Machu Picchu.


Aí nos dizem que à direita é pela região da serra (belíssima passamos no ano de 2005) e à esquerda pela auto-pista. Seguimos pela auto-pista e chegamos a Salta às 21:00h. Paramos num pedágio antes de Salta e a moto do Neco não pega para sair.


Fui dar uma conferida e descobri que o fusível tinha queimado. Uma direta e seguimos. Chegando em Salta fui, instintivamente, tentando achar o hotel do ano passado.




Rodamos um pouco e consegui achar, mas estava lotado. Fomos no Gran Hotel Premier e depois comemos umas empanadas com cerveja Quilmes.

Por Luis Fernando – Com certeza o trecho San Pedro de Atacama – CH  à  San Salvador de Jujuy – AR, foi o mais diversificado em estradas e paisagens. Retas e curvas, longas e curtas, subidas e descidas, desertos, montanhas de areia, de pedra e de neve, montanha colorida, picos nevados, vulcão, salares.
Até então, não tinha presenciado tanta coisa bonita em tão curto espaço de tempo.




Em um  momento aconteceu uma coisa inesperada, em velocidade nas motos , percorrendo longas retas em meio a uma mistura de desertos e salares, quase dormimos. É, é isso mesmo,quase dormimos pilotando as XTs, cheguei a fechar os olhos por alguns segundos.Que perigo !!!
Acho que a combinação de altitude, velocidade constante, barulho do vento, ronco do motor, retas que pareciam infinitas, foi que provocou aquela soneira momentânea.
Paramos, fumamos, conversamos, caminhamos, tudo para espantar o sono, e seguimos viagem.

Sem sono.