terça-feira, 19 de janeiro de 2016

7 DE JAN – De Corumbá-MS à Sta. Cruz de La Sierra-BO.

Acordamos 6:00 h pelo despertador do celular , não nos dando conta que estava no horário de Floripa, ou seja acordamos as 5h. Na fronteira fomos pegar um táxi boliviano e o cara pede $10bol. Argumento que ontem paguei $6. Ficou por $6, mas disse que ia pagar $8  porque ele ia me deixar na Zona Franca e meu irmão na estação. Desci na zona franca e meu irmão foi para estação. Acontece que ele não entendeu direito e pagou R$8,00 (reais) assim toda aquela minha energia canalizada para a pechincha foi pro espaço. O cara recebeu $24 bol. Deve tá rindo até agora. De volta da zona (franca é claro) uma enorme fila foi se formando pro embarque. Quando abriram a entrada a raça começou a vir de tudo que é lado e a fila foi pro saco. A polícia teve que intervir para organizar.





Devidamente acomodados, o trem parte. Vale salientar algumas coisas sobre o trem: o único que tem ar-condicionado é o Super Pulmann.
Nós fomos no Pulmann, cujas poltronas são como de ônibus. As janelas ficaram abertas dia e noite pois o calor é insuportável. Nunca pegue lugar no corredor pois não chega muito vento. Peça a poltrona na Ventanilha (janela) . Dica: o trem saiu às 11:45h e os melhores lugares são os números pares que nâo pegam sol a viagem toda.





Primeira estação e o condutor (que já me conhecia) vem me chamar pois está vazando gasolina da moto.


Fui correndo porque o trem já ia saindo. Chego no vagão e a moto está no chão. Nem esquento, levanto a moto e tiro todo o restinho da reserva. É obrigatório retirar toda gasolina do tanque e não pode levar frasco com quebra-galho. Em Sta. Cruz tem um posto de gasolina (Surtidor) a cerca de 3 quadras. Se o cara não me conhecesse, a moto teria sido descarregada na hora e eu só ia ficar sabendo em Sta. Cruz. 2ª Estação: Vem outro e me avisa que a moto caiu de novo. Vou correndo. Deu pena. Tava a minha caída de lado e por cima dela a de meu irmão. Só pude notar o para-brisa quebrado e o banco da outra arrancado. Solução: quando não há solução, solucionado está. Como elas ficaram? não sei,  porque estou escrevendo esta parte do relato dentro do trem. Como elas vão ficar? Nem imagino. Depois eu conto. Mas a vida no trem é muito engraçada. Passam dezenas de garotas e garotos (8 a 16 anos) vendendo comida, limonada, empanada, refri lata, água,  frutas, etc..  Quando o trem para, troca a turma de dentro (equipe de vendas) e lá fora outras dezenas vendendo pelas janelas do trem, coisas que não dá para entender o que é. A equipe interna fica circulando boa parte do percurso, aos gritos: limonada, café “brasileiro” – só imagina o que deve ser. Só param à noite (graças a Deus). Os Bolivianos que sabem o que estão fazendo, compram de tudo. Mas o cheiro da comida é muito forte, muita gordura e muita fritura.



Paramos em mais duas estações mas não pude olhar as motos. Numa outra estação consegui chegar até o vagâo, subi e tentei erguer a moto do meu irmão. Nem mexeu. Está com 217kg e trançada com a minha. Falei com o condutor e ele disse que na cidade de  Roboré eu teria mais tempo (20min). Voltei e conversei com meu irmão e concluímos que vamos deixar a bosta como está e ver amanhã como é que ficou.




Paramos em Roboré e saí do trem para conhecer a estação. Uns 150m antes da estação começava o carreiro de barracas vendendo de tudo (churrasco não sei de que, pastéis de sei lá o que, um PF que não identifiquei a composição). Os passageiros bolivianos  detonaram  com tudo. Quando eu me decidi a provar alguma coisa não tinha mais. Ainda com um tempinho de folga, fui papear com alguns brasileiros que a gente avistava e nem precisava ter uma bandeira na cabeça que a gente sabe que é da terrinha. Um casal, ela de Floripa e ele de Chapecó. Uma turma de 6 ou 7 do Rio. Todos indo a Macchu Pichu, mas por caminhos diferentes. Aí, um carioca diz que recebeu informação de que está nevando em Cochabamba (nosso trajeto). Lá vamos nós para mais uma encrenca. 

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