Saímos
às 8h.
Aqui o bicho pega de novo. São 420km até Calama e não sabemos nada sobre
postos de gasolina. Rodamos 260km, em pleno deserto, calor infernal, a minha
moto já na reserva e paramos no entroncamento das Rutas 5 e 24.
É impressionante a educação dos motoristas no Chile. No cruzamento destas duas estradas a gente enxerga alguns km pra cada lado e vê claramente se está vindo outro veículo. Entretanto, eles param, efetivamente, antes de cruzar, diante da placa “PARE”. Afinal a placa é para isto. No Brasil a gente só reduz e se estiver enxergando 100m pra cada lado, passa a 120km/h. Não é???
Perguntamos
prum cara que estava esperando carona e ele diz que gasol só rodando 1h pra
direita ou 1,5 pra esquerda. Notícia legal, né?
Mas ele diz que, talvez, no
cidade de Maria Elena (20km pra frente) a gente achasse. Não tinha outra saída,
pois os nossos tanques reserva não nos levariam mais uma hora. 500m antes de
chegar na cidade zera minha gasol.O
Neco vai até a cidade e me avisa, por rádio, que achou gasol.
Enchemos os tanques
e os reservas e fomos procurar um lugar para almoçar. O cara do posto indica
com o dedo um restaurante. A cidade parece aquelas do faroeste americano:
poeira por tudo (os telhados são cobertos pelo pó)...
...ninguém na rua, porta
batendo com o vento, só faltou o saloon e um mexicano dormindo com aquele
chapeuzão. Chegamos na frente do “restaurante” e nos olhamos com interrogação.
Era uma casinha, com janelas de tela pra mosquito cheias de poeira, uma
plaquinha: “pousada” ou qualquer outra coisa assim. Enfiei a mão na porta e
abri.
Uma velhinha atrás de um balcão, umas quinze mesas repletas de mineiros
(a região é conhecida como capital do sal) cada um com um PFezão na frente. Não
tinha mesa exclusiva, era tipo refeitório, vai chegando, vai sentando. Negociamos
dois PF (um puta dum bifão e salada de alface e tomate) e detonamos. Saímos
dali nos matando de rir. Aí digo pro Neco: vamos praquela sombrinha do lado do
posto, pra fumar um cigarro antes de pegar a estrada. E me mandei, enquanto ele
ia ligando a moto. Chego no posto e vou pra baixo das árvores e espero 5, 10,
15min, e nada do Neco. Peguei a moto e fui descobrir o que tinha acontecido.
Não acho o Neco. Ando de rua em rua, e nada. Na praça, nada. Começo a ficar
preocupado. Cumé qui o cara some???? Se fosse o trio aquele, a gente nem
precisa se preocupar. Vou voltando pro posto e o cara aparece atrás de mim.
Tinha se perdido naquela imensa metrópole.
Mas, tirando a gozação pra cima do Neco, a cidadezinha tem umas ruas
oblíquas de enganar pombo correio. Saímos pra estradinha calorenta rumo à
Calama. Chegamos em Calama, abastecemos e sai à caça de um óleo 4 tempos. Os
postos de gasolina dificilmente vendem óleo, como os do Brasil.
Em todos os
Países visitados só encontramos óleo nas casas de “lubricantes”. Assim mesmo
não é toda que tem o 4 tempos. O calor era sufocante. No posto encontramos, de
novo, a turma de Gramado.
Para São Pedro de Atacama faltam só 100km. Só 100, até parece. Aqui as estradas são
surpresas em todos os sentidos. O trajeto é todo em subida forte. Com 50 km
rodados o calor rapidamente vai sumindo e dando lugar a um frio, cada vez mais
forte, que nos obriga a parar e botar mais roupa.
Há
uns 30km de São Pedro a gente já avista o Vulcão Licancabur e a cordilheira,
nevados. Começamos a “sacar fotos”.
Nestes 30km levamos 1:30h só por causa das
fotos.
Chegando a São Pedro fui direto para o Hostal Jama, próximo à Aduana, e
acertamos “uma habitacion doble” por $10 pesos por dia. Foi o mesmo hostal que
nós paramos na viagem de 2005.
Banho tomado, um chimarrão...
...fomos para o Centro da cidade, que
agora conta com dois caixas eletrônicos (em 2005 não tinha), mas um estava
estragado e o outro sem dinheiro. Maravilha. Fomos jantar e tomamos 3 super
choop e saímos “prontos”.
No meio dos restaurantes não tem teto (há muito tempo não chove, praticamente não chove lá), então eles fazem um fogo de chão.
Fomos visitar o pessoal daquela
banda que tocou pra gente um monte de música brasileira em 2005. Chegamos e
eles estavam no meio de uma música. Pararam a música pra nos cumprimentar,
batemos um papo e de repente eles começam a tocar Aquarela do Brasil. Foi show.



































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