sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

25 JAN – De Poso Almonte à São Pedro de Atacama-CH.

Saímos às 8h.


Aqui o bicho pega de novo. São 420km até Calama e não sabemos nada sobre postos de gasolina. Rodamos 260km, em pleno deserto, calor infernal, a minha moto já na reserva e paramos no entroncamento das Rutas 5 e 24.


É impressionante a educação dos motoristas no Chile. No cruzamento destas duas estradas a gente enxerga alguns km pra cada lado e vê claramente se está vindo outro veículo. Entretanto, eles param, efetivamente,  antes de cruzar, diante da placa “PARE”. Afinal a placa é para isto. No Brasil a gente só reduz e se estiver enxergando 100m pra cada lado, passa a 120km/h. Não é???



Perguntamos prum cara que estava esperando carona e ele diz que gasol só rodando 1h pra direita ou 1,5 pra esquerda. Notícia legal, né?


Mas ele diz que, talvez, no cidade de Maria Elena (20km pra frente) a gente achasse. Não tinha outra saída, pois os nossos tanques reserva não nos levariam mais uma hora. 500m antes de chegar na cidade zera minha gasol.O Neco vai até a cidade e me avisa, por rádio, que achou gasol. 


Enchemos os tanques e os reservas e fomos procurar um lugar para almoçar. O cara do posto indica com o dedo um restaurante. A cidade parece aquelas do faroeste americano: poeira por tudo (os telhados são cobertos pelo pó)...


...ninguém na rua, porta batendo com o vento, só faltou o saloon e um mexicano dormindo com aquele chapeuzão. Chegamos na frente do “restaurante” e nos olhamos com interrogação. Era uma casinha, com janelas de tela pra mosquito cheias de poeira, uma plaquinha: “pousada” ou qualquer outra coisa assim. Enfiei a mão na porta e abri.


Uma velhinha atrás de um balcão, umas quinze mesas repletas de mineiros (a região é conhecida como capital do sal) cada um com um PFezão na frente. Não tinha mesa exclusiva, era tipo refeitório, vai chegando, vai sentando. Negociamos dois PF (um puta dum bifão e salada de alface e tomate) e detonamos. Saímos dali nos matando de rir. Aí digo pro Neco: vamos praquela sombrinha do lado do posto, pra fumar um cigarro antes de pegar a estrada. E me mandei, enquanto ele ia ligando a moto. Chego no posto e vou pra baixo das árvores e espero 5, 10, 15min, e nada do Neco. Peguei a moto e fui descobrir o que tinha acontecido. Não acho o Neco. Ando de rua em rua, e nada. Na praça, nada. Começo a ficar preocupado. Cumé qui o cara some???? Se fosse o trio aquele, a gente nem precisa se preocupar. Vou voltando pro posto e o cara aparece atrás de mim. Tinha se perdido naquela imensa metrópole.  Mas, tirando a gozação pra cima do Neco, a cidadezinha tem umas ruas oblíquas de enganar pombo correio. Saímos pra estradinha calorenta rumo à Calama. Chegamos em Calama, abastecemos e sai à caça de um óleo 4 tempos. Os postos de gasolina dificilmente vendem óleo, como os do Brasil.



Em todos os Países visitados só encontramos óleo nas casas de “lubricantes”. Assim mesmo não é toda que tem o 4 tempos. O calor era sufocante. No posto encontramos, de novo, a turma de Gramado.


Para São Pedro de Atacama faltam só 100km.  Só 100, até parece. Aqui as estradas são surpresas em todos os sentidos. O trajeto é todo em subida forte. Com 50 km rodados o calor rapidamente vai sumindo e dando lugar a um frio, cada vez mais forte, que nos obriga a parar e botar mais roupa.





Há uns 30km de São Pedro a gente já avista o Vulcão Licancabur e a cordilheira, nevados. Começamos a “sacar fotos”.





Nestes 30km levamos 1:30h só por causa das fotos.






 




Chegando a São Pedro fui direto para o Hostal Jama, próximo à Aduana, e acertamos “uma habitacion doble” por $10 pesos por dia. Foi o mesmo hostal que nós paramos na viagem de 2005.






Banho tomado, um chimarrão...


...fomos para o Centro da cidade, que agora conta com dois caixas eletrônicos (em 2005 não tinha), mas um estava estragado e o outro sem dinheiro. Maravilha. Fomos jantar e tomamos 3 super choop e saímos “prontos”.


No meio dos restaurantes não tem teto (há muito tempo não chove, praticamente não chove lá), então eles fazem um fogo de chão.


Fomos visitar o pessoal daquela banda que tocou pra gente um monte de música brasileira em 2005. Chegamos e eles estavam no meio de uma música. Pararam a música pra nos cumprimentar, batemos um papo e de repente eles começam a tocar Aquarela do Brasil. Foi show. 

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