terça-feira, 19 de janeiro de 2016

8 JAN – De Sta. Cruz de La Sierra à Villa Tunari-BO.

Mas, então, depois de 21 horas dentro daquele trem, chegamos em Sta. Cruz de La Sierra (uns 400m acima do nível do mar).


Mais uma hora esperando para liberarem a carga.



Abre-se a porta do vagão e surpresa : AS MOTOS NÂO ESTAVAM MAIS LÁ.  Mentirinhaaaaa!!! Começo a juntar os cacos e alcançar pro mermão. Da minha XT : 1 espelho, capacete e viseira, carenagem lateral, trinca no para-brisa, manopla, pintura dos dois baús laterais e entortou suporte dos baús. Do mermão: carenagem lateral, quebrou o pé de descanço, e ralou o tanque.Na minha foram mais coisas, mas na dele poucas e mais graves. Descemos as motos e começamos a remontar o que dava.




Aqui a primeira carcada nos estivadores exploradores: antes de descarregar (é normal eles ficarem quietos até terminar o serviço e depois dar a facada) perguntei quanto era. O cara me diz que vai sair $200 bol. Eu digo pro cara: tá maluco, paguei ontem $100 para levantar e tu queres $200 para baixar? Aí o cara fecha em R$100. Só que ele achou que eu estava falando das duas motos e eu falava de uma só. Então o que me ferraram lá em Corumbá, descontei em Sta. Cruz. Hehehehehe.
Montamos, arrumamos, fixamos, enjambramos e é só dar a partida rumo a Cochabamba. Decidimos cruzar direto por Sta. Cruz para recuperar os dois dias perdidos em Corumbá. E ai? E aí? A minha XT não pega.


Afinal ficou deitada 21h no trem. Troquei vela, fizemos chupeta na bateria e ½ hora mais tarde, finalmente pega.
Fomos procurar direto em soldador pra arrumar o pé do descanso (o resto pode esperar), mesmo sendo domingo achamos um aberto  e resolvemos em ½ hora.


Fomos pedindo informação da estrada para Cochabamba e paramos na frente de um restaurante chinês e resolvemos almoçar ali mesmo. Beleza, comemos Cervo acebolado com shop suey. A gente sempre quis comer veado. É veado e não, viado. Não se empolguem.



Às 14h pegamos a estrada, mas as informações eram completamente diferentes. Saímos sem saber o que iríamos encontrar. No  início placa com 412km. Um km após, no pedágio, 489km.


A estrada é um “petáculo” como diz nosso amigo Miguel. O asfalto muito bom, pouquíssimos buracos, sinalizada. Média de 100/120km/h.



O único problema são as muitas cidadezinhas no trajeto. Ao se aproximar, lombadas (mal sinalizadas e pequenas), passei direto em duas. O trânsito nestas cidades é totalmente desorganizado. Os carros e motos (estas aos milhares)retornam sem sinalizar, em qualquer lugar. Ninguém usa capacete. Andam em 3, 4 e até 5 (contando com criança pequena). É de apavorar.




Depois de rodar 220km paramos para abastecer. Informação : NÃO TEM GASOLINA. Descobrimos que sempre tem uma saída. Tem sempre dois fornecedores de gasol. O oficial é o “SURTIDOR” (posto de gasolina) e o outro a chamada “BOLSA NEGRA” ( ou mercado negro), que foi a que nos salvou. É uma casa de venda de óleo lubrificante mas ao lado tem vários tonéis com gasol e diesel. Fica ao lado do posto de polícia e opera descaradamente. Pra variar, depois de todas as encrencas do dia, começou a escurecer.  Paramos em um hotel mas desistimos porque não tinha comida, ar-condicionado, sabonete, etc... Resolvemos continuar. Faltavam cerca de 270km. Rodamos uns 50km e a pista começa trocando de asfalto para pedra e voltando pro asfalto. Até que chegamos em um ponto em que tudo parou, pois estava só uma pista liberada. Esperam todo um lado passar e liberam o outro. Com as viseiras detonadas o jeito foi grudar em uns micro-ônibus que iam pra Cochabamba, deitando o sarrafo. Falando com um dos motoras ele diz que o trecho era pura encrenca e todo em subida (de 500 pra 2.000m) e que levaríamos cerca de 3,5h para os 120km restantes.


Voltamos praquele hotel que não tinha nada, mas tem cama. No caminho resolvemos fazer um rango e paramos num restaurante de estrada. O quadro era cômico. Beira de estrada. Uns quinze bolivianos jogando vôlei no escuro, uma gorda cozinhando e uma magra servindo. Vieram 2 PF dos grandes e tomamos duas cervas Paceñas.


Pegamos a estrada e chegamos ao hotel Villa Tunari.





O Gerente Don Víctor, duro na queda, abriu no desconto e logo nos ferrou no câmbio e pagamento adiantado. Aí entra o meu irmão (Neco) que começa a sacanear o cara. Botava a grana em cima do balcão e quando o Don ia pegar ele fazia outra pergunta e puxava devagar a mão. E assim foi umas três vezes. Don Victor já devia estar uivando por dentro.

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