Mas,
então, depois de 21 horas dentro daquele trem, chegamos em Sta. Cruz de La Sierra (uns 400m acima do nível do mar).
Mais uma hora
esperando para liberarem a carga.
Abre-se a porta do vagão e surpresa : AS
MOTOS NÂO ESTAVAM MAIS LÁ.
Mentirinhaaaaa!!! Começo a juntar os cacos e alcançar pro mermão. Da
minha XT : 1 espelho, capacete e viseira, carenagem lateral, trinca no para-brisa,
manopla, pintura dos dois baús laterais e entortou suporte dos baús. Do mermão:
carenagem lateral, quebrou o pé de descanço, e ralou o tanque.Na minha foram
mais coisas, mas na dele poucas e mais graves. Descemos as motos e começamos a
remontar o que dava.
Aqui a primeira carcada nos estivadores exploradores:
antes de descarregar (é normal eles ficarem quietos até terminar o serviço e
depois dar a facada) perguntei quanto era. O cara me diz que vai sair $200 bol.
Eu digo pro cara: tá maluco, paguei ontem $100 para levantar e tu queres $200
para baixar? Aí o cara fecha em R$100. Só que ele achou que eu estava falando
das duas motos e eu falava de uma só. Então o que me ferraram lá em Corumbá,
descontei em Sta. Cruz. Hehehehehe.
Montamos,
arrumamos, fixamos, enjambramos e é só dar a partida rumo a Cochabamba.
Decidimos cruzar direto por Sta. Cruz para recuperar os dois dias perdidos em Corumbá. E ai? E aí? A minha XT não pega.
Afinal
ficou deitada 21h no trem. Troquei vela, fizemos chupeta na bateria e ½ hora
mais tarde, finalmente pega.
Fomos procurar direto em soldador pra arrumar
o pé do descanso (o resto pode esperar), mesmo sendo domingo achamos um
aberto e resolvemos em ½ hora.
Às 14h pegamos a estrada, mas as informações eram completamente diferentes. Saímos sem saber o que iríamos encontrar. No início placa com 412km. Um km após, no pedágio, 489km.
A estrada é um “petáculo” como diz nosso amigo Miguel. O asfalto muito bom, pouquíssimos buracos, sinalizada. Média de 100/120km/h.
O único problema são as muitas cidadezinhas no trajeto. Ao se aproximar, lombadas (mal sinalizadas e pequenas), passei direto
Depois de rodar 220km paramos para abastecer. Informação : NÃO TEM GASOLINA. Descobrimos que sempre tem uma saída. Tem sempre dois fornecedores de gasol. O oficial é o “SURTIDOR” (posto de gasolina) e o outro a chamada “BOLSA NEGRA” ( ou mercado negro), que foi a que nos salvou. É uma casa de venda de óleo lubrificante mas ao lado tem vários tonéis com gasol e diesel. Fica ao lado do posto de polícia e opera descaradamente. Pra variar, depois de todas as encrencas do dia, começou a escurecer. Paramos em um hotel mas desistimos porque não tinha comida, ar-condicionado, sabonete, etc... Resolvemos continuar. Faltavam cerca de 270km. Rodamos uns 50km e a pista começa trocando de asfalto para pedra e voltando pro asfalto. Até que chegamos em um ponto em que tudo parou, pois estava só uma pista liberada. Esperam todo um lado passar e liberam o outro. Com as viseiras detonadas o jeito foi grudar em uns micro-ônibus que iam pra Cochabamba, deitando o sarrafo. Falando com um dos motoras ele diz que o trecho era pura encrenca e todo em subida (de 500 pra 2.000m) e que levaríamos cerca de 3,5h para os 120km restantes.
Voltamos praquele hotel que não tinha nada, mas tem cama. No caminho resolvemos fazer um rango e paramos num restaurante de estrada. O quadro era cômico. Beira de estrada. Uns quinze bolivianos jogando vôlei no escuro, uma gorda cozinhando e uma magra servindo. Vieram 2 PF dos grandes e tomamos duas cervas Paceñas.
Pegamos a estrada e chegamos ao hotel Villa Tunari.
O Gerente Don Víctor, duro na queda, abriu no desconto e logo nos ferrou no câmbio e pagamento adiantado. Aí entra o meu irmão (Neco) que começa a sacanear o cara. Botava a grana em cima do balcão e quando o Don ia pegar ele fazia outra pergunta e puxava devagar a mão. E assim foi umas três vezes. Don Victor já devia estar uivando por dentro.






















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